→ A gestante pode ir ao dentista? Pode não, DEVE!

Olá pessoal!

Vamos debater um assunto bem interessante, não só para as mulheres, logicamente, mas para todos. O atendimento odontológico à paciente gestante. Há muitas verdades e mitos sobre o assunto que, por sua vez, terminam por atrapalhar os cuidados com a saúde bucal nesta época tão importante na vida.

→ A gestante pode ir ao dentista? Pode não, DEVE!

As grávidas ou gestantes, devido às suas condições, requerem um tratamento especial, do ponto de vista odontológico, visto às repercussões que a gravidez pode exercer na cavidade bucal e também porque devemos lembrar que são dois pacientes que estão sendo atendidos e não um.

 

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1 – A gestação

A gravidez é uma das fases mais importantes da vida. Pelo fato do cuidado que a mãe tem com o filho, essa está instintivamente disposta a adquirir novos preceitos e mudar o estilo de vida em prol dom bebê, logo, trata-se de um momento muito importante para a criação de bons hábitos.

Em decorrência desta motivação em aprender, é muito importante que a paciente grávida receba informações sobre saúde bucal nesta época, para que se estabeleçam pensamentos motivacionais, no que diz respeito à própria saúde bucal e do bebê.

Neste período, a mulher passa por várias mudanças no organismo, que podem acarretar em alterações na cavidade bucal, motivo pelo qual o acompanhamento por parte do dentista é de extrema importância.

Abaixo, as mudanças mais comuns em uma paciente gestante:

  • Alterações hormonais;
  • Alterações psicológicas;
  • Aumento da ingestão de alimentos com maior frequência;
  • Aumento dos nº de batimentos cardíacos;
  • Aumento da atividade respiratória.

E as mudanças mais comuns na cavidade bucal:

  • Aumento da acidez da cavidade bucal;
  • Gengivite gravídica: que nada mais é do que uma resposta acentuada aos fatores causadores da inflamação gengival, em decorrência das alterações hormonais;
  • Aparecimentos de lesões gengivais (granulomas).

2 – Quais os problemas bucais mais comuns encontrados em uma gestante?

É muito comum clientes associarem os problemas bucais existentes à gravidez. Há inúmeros estudos que concluem o seguinte:

Cárie dentária: a prevalência de cárie dentária em uma gestante é a mesma em uma mulher que não está grávida.

Não há relação entre a gravidez e o aparecimento de cárie dentária  e a gestação, isto é, a ocorrência de cárie dentária está associada outros fatores, como por exemplo, a higiene inadequada da cavidade bucal. Também não há diminuição na quantidade de minerais nos dentes.

Um fator importante é a transmissão dos microorganismos responsáveis pela cárie dentária de mãe para o filho.

É bastante comum, embora a maioria das gestantes não saibam disso. O contágio ocorre após o nascimento, durante o contato entre a mãe e o filho, como por ex., durante um beijo ou quando vai assoprar a comida quente para a criança comer;

Gengivite: a ocorrência de gengivite na grávida está associada intimamente à presença da placa bacteriana, como em qualquer pessoa, havendo modificação apenas na resposta ao problema inflamatório, que é de maneira mais acentuada;

Extração dentária: não há relação entre a gravidez e as perdas dentárias, que podem ocorrer devido a outras causas, como por exemplo, a cárie dentária;

Doença periodontal: não há relação entre a gestação e o aparecimento de doenças periodontais, que estão relacionadas com a presença da placa bacteriana nas superfícies dentárias. Porém, há correlação entre a doença periodontal e partos prematuros;

Flúor: o uso de flúor na gestação não implica no aumento da resistência dos dentes do bebê. O flúor deve ser utilizado após o nascimento da criança, com a erupção dos dentes; e mesmo assim com muito cuidado e orientação do dentista;

3 – Atendimento Odontológico durante a gravidez

A saúde da mulher neste período é de extrema importância, tanto para ela quanto para o bebê que está por vir. E a saúde bucal deve estar incluída no programa pré-natal da gestante.

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O atendimento por parte do dentista ou odontopediatra (dentista especializado no tratamento de crianças) durante a gestação é muito importante para o bom andamento da saúde bucal da gestante.

Devido às características apresentadas pela mulher neste momento da vida, há necessidade de alguns cuidados durante o tratamento dentário realizado por parte do dentista. Mas qual a importância do dentista neste período?

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No processo da gravidez, há um aumento da frequência de alimentação, isto é, a gestante se alimenta com mais frequência. Infelizmente, em boa parte dos casos, a higiene bucal também não aumenta na mesma frequência.

Com o aumento da frequência alimentar sem higiene, ocorre mais facilmente o desenvolvimento da cárie dentária, além de outros problemas como a gengivite.

Além disso, é comum ocorrer neste período o aumento de episódios eméticos (vômitos), que por sua vez tem composição ácida, ocorrendo perda do esmalte dentário, sendo este fenômeno conhecido como perimólise.

Por estes e outros motivos, faz-se necessário o acompanhamento odontológico, a fim de evitar que estes problemas se agravem, prejudicando a gestante e o bebê.

Ao atendimento odontológico pode ser realizado em qualquer fase da gestação, porém o período mais seguro é o segundo trimeste (4º ao 6º mês) por se tratar de um período de maior estabilidade no desenvolvimento fetal.

No 1º e 3º trimestes, devem-se evitar atendimentos por se tratar da fase de formação fetal (maior incidência de abortos) e pela condição física da gestante, respectivamente.A consulta tem algumas peculiaridades, quando comparado ao atendimento comum. Vamos por partes:

1 – O atendimento a gestantes deve ser breve, realizado na metade da manhã (enjôos menos frequentes) e o menos invasivo possível, evitando assim stress durante a consulta odontológica;

2 – As urgências devem ser realizadas em qualquer fase da gestação, porque os benefícios superam os riscos. Uma inflamação em atividade pode aumentar o stress da gestante e uma infecção não tratada pode evoluir para um quadro mais grave, comprometendo a saúde e a vida da gestante e do bebê;

3 – O uso de medicações deve ser criterioso durante a gestação. Antibióticos podem atravessar a barreira placentária e causar danos ao feto, como por ex. a tetraciclina, que pode provocar danos irreversíveis à dentição, no que diz respeito à cor. Outras medicações podem causar deformidades no feto como a talidomida e benzodiazepínicos.

Grávida pode tomar anestesia dentária?

Sim, contudo Anestésicos locais também devem ser utilizados com muita cautela. Estes substâncias podem atravessar a barreira placentária e comprometer o feto. O uso não pode passar de 2 tubetes, diminuindo assim as chances de efeitos colaterais.

O anestésico deve conter moléculas grandes, metabolização rápida e taxa de ligação protéica alta, pois assim a quantidade que atravesse a placenta é menor. Na prática, o anestésico indicado para gestantes é a lidocaína e o uso do vasoconstrictor noradrenalina promove mais benefícios que prejuízos.

O anestésico prilocaína, assim como seu vasoconstrictor felipressina, e o anestésico mepivacaína são contra-indicados no atendimento da gestante.

A prilocaína pode provocar um quadro chamado metaemoglobinemia, que consiste na oxidação da hemácia (molécula que transporta o oxigênio para os tecidos), impedindo que a molécula transporte o oxigênio para os tecidos.

O efeito ocorre 3 a 4 horas após o uso,isto é, não ocorrerá no consultório dentário. Outro fato que a gestante pode desenvolver anemia, o que seria ainda mais perigoso o uso deste anestésico.

O vasoconstrictor felipressina pode causar aborto espontâneo ou parto prematuro, embora a dose para isto tenha que ser muito alta.

O anestésico mepivacaína também deve ser evitado por apresentar altas concentrações da substância e por ser rapidamente absorvida.

4 – Em gestantes no 3º trimestre, a posição de atendimento da cadeira odontológica deve estar situada em 45 graus. Mais baixo que isso, o feto pode fazer pressão na veia cava inferior, diminuindo a circulação sanguínea no cérebro, provocando um episódio de síncope (desmaio).

Dúvidas comuns em relação ao atendimento odontológico em uma gestante:

Grávida pode fazer obturação (restauração dentária)?

Não só pode como deve fazer caso haja necessidade. Ainda mais porque, se deixar de tratar a cárie dentária, ela evoluirá e comprometerá o nervo do dente, sendo necessário realizar tratamento de canal.

Grávida pode extrair um dente?

É possível extrair um dente durante a gestação, contudo dando preferência à realização no segundo trimestre da gravidez.

Grávida pode realizar tratamento de canal?

Preconiza-se que o tratamento de canal seja realizado após o parto em decorrência da necessidade de se fazer radiografias.

Grávida pode fazer raio X?

Embora a radiação do dentista seja muito pequena (isso sem falar que há o uso do colete de chumbo para proteção), por PRECAUÇÃO, opta-se por não realizar durante a gestação.

Considerações finais

A higiene bucal deve ser realizado da mesma maneira que qualquer indivíduo. Escovações diárias e o uso de fio dental devem fazer parte da higiene bucal diária.

O aumento da frequência alimentar deve estar acompanhado da higiene bucal, a fim de se preservar boa condição bucal bem como a saúde da gestante e do bebê.

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Visitas regulares ao dentista devem fazer parte do protocolo pré-natal da gestante. Esta apresenta alterações fisiológicas que podem influenciar na saúde bucal bem como no estado de saúde geral.

O atendimento odontológico pode e deve ser realizado, de preferência no 2º trimestre, a fim de se ter condições seguras para o bom tratamento da saúde bucal.


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Caso haja alguma dúvida, não hesite em perguntar abaixo! Mande sua dúvida que farei de tudo para te ajudar!

Grande abraço!

Wilson Correia Jr.

Comment on "→ A gestante pode ir ao dentista? Pode não, DEVE!"

  1. Jose Antonio

    Parabéns,

    Esta matéria deveria ser transformada em cartilha e distribuída principalmente nos postos de saúde de todos os municípios do Brasil e se possível em cada consultório ginecológico, para instruir as futuras mamães e papais.

    mais uma vez parabéns.

  2. Dr. Wilson Correia Júnior

    Prezado,

    Agradeço desde já o elogio e a visita ao site!

    Boas festas!

  3. Anônimo

    KARYNNE FREIRE disse: Interessantíssimo! Gostei demais da forma como o Dr. Wilson Correia Jr abordou o assunto. Entrei nesta página com intenção de pesquisar sobre os efeitos colaterais dos benzodiazepínicos em grávidas (especialmente o Rivotril) e acabei recebendo outras informações muito úteis também. Sugestão: O Sr. poderia fazer uma abordagem mais ampla sobre os benzodiazepínicos em gestantes, por favor? É que existe uma carência grande em termos de elucidação sobre tal assunto. Obrigada!

  4. Dr. Wilson Correia Júnior

    Prezada Karynne,

    Agradeço os elogios e a sugestão. Pode ter certeza de que vou colocar nos arquivos para post.

    Recebo muitas sugestões, mas como estou sem tempo ultimamente, estou devendo nas postagens. Mas em breve atualizarei o blog e postarei algo sobre sua sugestão.

    Agradeço desde já.

  5. Anônimo

    Fiz um tratamento de canal do lado esquerdo da boca, ai depois de tomar anestesia meu olho direito ficava piscando direto e o olho esquerdo não piscava nem fechava.. a dentista disse que era normal pois a anestesia poderia ter pegado algum nervo. Isso é normal?

  6. Dr. Wilson Correia Júnior

    Prezado,

    Variações anatômicas são comuns, isto é, a posição das estruturas anatômicas podem variar, podendo ocorrer acidentes durante alguns procedimentos, como é o caso da anestesia.

    Porém, na maioria esmagadora dos casos, em poucas horas tudo volta ao normal. Se seu caso persistir (não fechamento do olho), procure um oftalmologista.

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